Primeira Pessoa E Terceira Pessoa
Dominar o uso da primeira pessoa e da terceira pessoa é essencial para escrever textos claros, coerentes e adequados ao contexto, seja em academic, criativa ou profissional. Este guia ajuda você a identificar quando aplicar cada uma e a refinar sua escolha com confiança.
Resumo dos principais pontos
- A primeira pessoa (eu, nós) reflete a subjetividade, a experiência própria e a proximidade com o leitor.
- A terceira pessoa (ele, ela, eles, o autor) objetiva o tom, formaliza a linguagem e centra o foco no sujeito ou na trama.
- A escolha deve obedecer ao gênero textual, ao público-alvo, ao tom desejado e às convenções institucionais.
- Em textos longos, mantenha a coesão ao definir desde o início qual perspectiva predominante será usada.
- Evite oscilações desnecessárias entre as perspectivas; transições claras são fundamentais quando ocorrem mudanças.
Contextualizando a escolha entre primeira e terceira pessoa
A distinção entre primeira pessoa e terceira pessoa define não apenas a gramática, mas a postura do texto. A primeira inclui o narrador ou o autor como sujeito ativo; a terceira remove o eu imediato, criando distância ou abrangência sobre o assunto. Essa escolha impacta diretamente a credibilidade, a intimidade e o foco narrativo.
Quando usar a primeira pessoa
Vantagens e cenários ideais
A primeira pessoa é indicada quando você busca autenticidade, transparência e engajamento direto. Em ensaios, memorandos, apresentações de projetos e depoimentos, ela destaca a responsabilidade individual e humaniza a comunicação.

- Artigos de opinião e crônicas: a voz pessoal agrega autoridade e estilo.
- Diários de bordo e relatórios de estágio: evidenciam participação ativa e evolução.
- Projetos de pesquisa em ciências humanas: situam o pesquisador no processo.
- Comunicação interna: facilita a conexão entre equipes e lideranças.
Riscos e cautelas
O uso excessivo de primeira pessoa pode tornar o texto subjetivo demais, enfraquecendo a argumentação ou gerando sensação de egocentrismo. Em normas formais, evite abusos de "eu" quando o foco deve ser a evidência, não a pessoa.
Quando usar a terceira pessoa
Vantagens e cenários ideais
A terceira pessoa objetiva, generaliza e amplia o alcance. É a preferida em monografias, artigos científicos, notícias, manuais técnicos e narrativas que buscam neutralidade. Ao apontar para "o autor", "o estudo" ou "os participantes", você prioriza o conteúdo sobre o sujeito.
- Pesquisa acadêmica: adota "o pesquisador", "os sujeitos" para manter rigor.
- Jornalismo institucional: afasta-se de opiniões pessoais para focar nos fatos.
- Documentação corporativa: processos, políticas e manuais padronizam a fala.
- Literatura e roteiro: permite narração omnisciente e descrição detalhada.
Desafios comuns
Em terceira pessoa, redações podem ficar vagas ou frias se não houver clareza sobre quem age. Evite ambiguidades como "acredita-se que" sem sujeito definido, e cuide para que os pronomes ("ele", "ela", "eles") tenham antecedentes precisos."

Como equilibrar as duas perspectivas no texto
A transição entre primeira pessoa e terceira pessoa deve ser intencional e contextualizada. Em um estudo acadêmico, por exemplo, é comum usar a terceira na metodologia e a primeira em considerações finais, desde que haja justificativa.
- Defina desde o início a perspectiva predominante para manter a coesão.
- Mude apenas quando houver mudança de foco: de análise objetiva para reflexão crítica, por exemplo.
- Use transições claras ("Em síntese, observou-se que", "Neste momento, proponho que") para guiar o leitor.
- Revise para evitar oscilações que confundam ou fragmentem a argumentação.
Dicas práticas para aplicar em diferentes formatos
Regras de estilo e revisão final
Cada contexto exige ajustes de tom. Em redação pessoal, valorize a sinceridade; em textos institucionais, priorize a objetividade. Leia em voz alta para sentir a pegada da narrativa e peça feedback sobre clareza e tom.
- Academic: adote a terceira pessoa na exposição dos resultados e a primeira apenas para posicionamento ético ou metodológico.
- Marketing: combine primeira pessoa em storytelling de marca e terceira pessoa em depoimentos e cases.
- Recursos humanos: use a primeira em integração e feedback; a terceira em políticas e processos.
- Verificação: busque sinônimos e variações (por exemplo, "o autor", "esse eu", "nós") para evitar repetições mecânicas.
Ferramentas e recursos de apoio
- Processadores de texto com recursos de revisão gramatical (destacam inconsistências de pessoa).
- Planilhas de estilo internas para alinhar preferências de equipe.
- Base de dados de referências (ABNT, APA, MLA) para conferir exigências de formatação.
- Comunidades de escrita e grupos de revisão entre pares para testar a fluidez da voz.
Perguntas frequentes
Pode-se misturar primeira e terceira pessoa no mesmo texto?
Sim, desde que haja uma justificativa clara e uma transição consciente. A chave é manter a coesão e evitar oscilações que prejudiquem a compreensão.

É errado usar "eu" em artigos científicos?
Não necessariamente. Muitas normas atuais permitem a primeira pessoa para descrever ações dos pesquisadores, desde que sejam evitadas generalizações e mantenha-se o rigor metodológico.
Como evitar repetição de "eu" demais na primeira pessoa?
Use variações: "este trabalho", "nesta pesquisa", "diante desse cenário", além de recursos sintáticos que invertam a ordem sem perder o foco.
Como escolher entre primeira e terceira pessoa no cotidiano profissional?
Analise o público, o objetivo e as regras da empresa ou instituição. Textos internos e de engajamento podem usar a primeira; documentos formais e técnicos tendem a preferir a terceira.