Rescisao Contrato De Experiencia Pelo Empregador
Este guia prático explica como funciona a rescisão de contrato de experiência pelo empregador, os direitos trabalhistas envolvidos e como evitar erros que geram custos e processos judiciais.
Entenda o que é contrato de experiência
O contrato de experiência é uma modalidade prevista na legislação trabalhista brasileira, voltada à integração de pessoas que ainda não possuem experiência comprovada no mercado de trabalho. Ele tem duração máxima de noventa dias, podendo ser prorrogado por igual período, desde que não ultrapasse o limite legal. Durante esse período, o empregador avalia as competências do colaborador, enquanto este tem a oportunidade de se adaptar à rotina e exigências da função.
Requisitos para contratar por experiência
Antes de avançar com a contratação, o empregador deve conferir se a vaga e o perfil do trabalhador se enquadram nas regras. São exigidos alguns requisitos e limitações específicas que devem ser observados desde o início do vínculo.

Regras gerais e restrições
- Pessoa que nunca tenha trabalho formal comprovado, incluindo estágio não remunerado que tenha gerado carteira de trabalho;
- Funções de confiança e chefia não podem ser enquadradas em experiência;
- O contrato não pode ser renovado mais de uma vez, exceto quando há mudança de função ou características do trabalho;
- O contrato deve ser formalizado por escrito, com cláusulas específicas sobre prazo, funções e remuneração;
Documentos e validade
O empregador deve exigir apenas a identidade e o CPF, sem cobrar certidões diversas no momento da contratação. O contrato de experiência deve conter todas as cláusulas exigidas pela lei, incluindo prazo, salário, jornada e funções, para evitar irregularidades.
Passo a passo da rescisão por iniciativa do empregador
Quando o empregador decide rescindir o contrato de experiência, é preciso seguir procedimentos claros e respeitar direitos trabalhistas. O descumprimento de qualquer etapa pode resultar em multas, pagamento de salários e indenização por danos morais.
- Verifique o motivo da rescisão: avalie se o fundamento é a inexperiência do colaborador ou outra causa prevista em lei, como justa causa ou término normal do contrato.
- Comunique por escrito: entregue ao trabalhador uma comunicação formal que explique o motivo, o prazo e os direitos relativos ao saldo de salários e benefícios.
- Calcule o pagamento devido: remunere todos os dias trabalhados, proporcionalmente, incluindo férias proporcionais e o décimo terceiro, se fizerrem parte do contrato.
- Solicite documentos de saída: forneça a homologação na rescisão, recibo de pagamento e, se necessário, guias de FGTS e previdência social.
- Comunique à Previdência e ao FGTS: apresente as declarações e quitações para evitar multas e irregularidades na vida do trabalhador.
Direitos do trabalhador na rescisão
O colaborador tem garantias mesmo durante a experiência, e o empregador deve respeá-las integralmente. Entender esses direitos ajuda a evitar conflitos e processos judiciais relacionados à rescisão.

Salários, férias e benefícios
- Salário integral pelos dias efetivamente trabalhados, incluindo horas extras;
- Férias proporcionais e o pagamento do terço constitucional, se aplicável;
- 13º proporcional e participação nos lucros, quando havia;
- Movimentação do FGTS com multa de 40%, em caso de demissão sem justa causa;
- Seguro-desemprego, se o contrato for encerrado antes do fim do período de experiência por culpa do empregador.
Como evitar erros na rescisão de contrato de experiência
Erros em processos de rescisão geram custo trabalhista e danos à reputação da empresa. Antes de tomar qualquer decisão, revise práticas, documentação e comunicação com o colaborador.
Práticas e documentação
- Evite demitir sem justificativa clara: a inexperiência deve ser demonstrada com avaliações objetivas e transparentes;
- Registre todos os feedbacks e avaliações ao longo do período para embasar a decisão;
- Esteja atento ao prazo: exija apenas a extensão única permitida, sem prorrogações abusivas;
- Ofereça treinamento e suporte durante o contrato para reduzir riscos de falha de performance;
- Mantenha comunicação clara e respeitosa, evitando discursos discriminatórios ou vexatórios.
Perguntas frequentes
Pergunta: o empregador pode demitir um estagiário como se fosse rescisão de contrato de experiência?
Não. Estagiário e contrato de experiência são regimes distintos, com regras diferentes. A demissão de estagiário segue procedimentos próprios e não se aplica o modelo de rescisão por inexperiência.
Pergunta: quanto tempo o empregador tem para pagar os salários após a rescisão?
O pagamento dos salários de trabalho efetivamente prestados devem ser quitados no prazo legal, geralmente até o próximo pagamento de salário ou em até dois dias úteis após a rescisão, conforme a legislação local aplicável.

Pergunta: o contrato de experiência gera aposentadoria durante o período?
Sim, o trabalhador já acumula tempo de contribuição para a aposentadoria, devendo ser enquadrado no sistema previdenciário, com direito a benefícios após cumprir os requisitos mínimos exigidos.
Pergunta: é obrigatório aviso prévio na rescisão de contrato de experiência?
Não há aviso prévio exigido por lei para contrato de experiência encerrado antes do prazo, desde que a justificativa esteja clara e havia previsão contratual, mas o aviso pode ser acordado entre as partes.